CONSIDERAÇÕES SOBRE OS VERBOS EM LATIM (PARTE 2)

LIÇÃO VIRTUAL N. 13

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS VERBOS EM LATIM (PARTE 2)

1. Tempos primitivos

A consulta dos verbos no dicionário deve ser feita pela primeira pessoa do singular, conforme dito antes. Associados a ela encontramos os tempos primitivos do verbo, pelos quais é possível verificar se o verbo tem conjugação regular ou irregular e ainda é possível compor os seus diversos tempos conjugáveis.

Por exemplo: o verbo ‘laborare’ (trabalhar) aparece na seguinte sequência:

laboro, as, avi, atum, are. Isto significa que:

1.ª pessoa do presente do indicativo = laboro;

2.ª pessoa do presente do indicativo = laboras;

1.ª pessoa do pretérito perfeito do indicativo = laboravi;

supino = laboratum

infinitivo = laborare.

Trata-se de um verbo regular da primeira conjugação. Aliás, os verbos da primeira conjugação, na sua grande maioria, são de conjugação regular.

Outro exemplo:

Compare o verbo ‘respondere’ (responder), que fica assim:

respondeo, es, respondi, responsum, respondere

com o verbo ‘eligere’ (eleger, escolher) está assim: eligo, is, elegi, electum, eligere.

Observa-se que:

a) são verbos irregulares, porque alteram os radicais (respond- e elig-) nos tempos primitivos;

b) o verbo ‘respondere’ é da segunda conjugação pois tem a segunda pessoa do presente do indicativo em ‘es’;

c) o verbo ‘eligere’ é da terceira conjugação, pois faz a segunda pessoa em ‘is’;

d) assim sendo, o verbo ‘respondére’ é paroxítono e o verbo ‘elígere’ é proparoxítono (terminação verbal tônica na 2.ª conjugação e átona na 3.ª);

e) a maioria dos verbos de conjugação irregular encontra-se na 2.ª e na 3.ª conjugações.

2. Derivação a partir dos tempos primitivos

Os demais tempos verbais derivam dos tempos primitivos, do seguinte modo:

a) do radical do presente do indicativo derivam: o imperfeito, o futuro do presente e o gerúndio;

b) do radical do pretérito perfeito derivam: os mais que perfeitos do indicativo e do subjuntivo;

c) do radical do supino derivam: todos os tempos compostos passivos.

d) O radical do infinitivo identifica a qual conjugação o verbo pertence.

Exemplos:

Tomemos o verbo ‘eligere’:

Presente do indicativo: eligo, eligis, eligit, eligimus, eligitis, eligunt;

derivações –

imperfeito indicativo (eligebam, eligebas, eligebat, eligebamus, eligebatis, eligebant);

imperfeito subjuntivo (eligam, eligas, eligat, eligamus, eligatis, eligant);

futuro do presente (eligam, eligas, eligat, eligamus, eligatis, eligant).

Pretérito perfeito indicativo: elegi, elegisti, elegit, elegimus, elegitis, elegerunt;

derivações –

mais que perfeito indicativo (elegeram, elegeras, elegerat, elegeramus, elegeratis, elegerant);

mais que perfeito subjuntivo (elegissem, elegisses, elegisset, elegissemus, elegissetis, elegissent).

Supino: electum;

derivações :

electus sum (eu fui eleito), electus eram (eu fora eleito); electus sim (eu tenha sido eleito).

OBS: Nos tempos compostos, conjuga-se com o auxílio do verbo ‘esse’ (ser).

Este paradigma é apenas para ilustrar o que disse acima. O desenvolvimento deste assunto passa a ser muito complexo para os limites a que nos propomos nestas simplificadas anotações. A sua visualização numa tabela é bem mais intuitiva.

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