ORIGEM E EVOLUÇÃO DO LATIM

LIÇÃO VIRTUAL N. 1

1. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO LATIM

O latim deriva de línguas arcaicas faladas no Lácio e em Roma, consolidando-se gramaticalmente a partir do século III a.C. Do local de sua origem (Lácio – região da Itália central = Latium, no idioma deles) provém o nome LATIM.

Teve seu período clássico entre os anos 81 a.C e 17 d.C., época dos principais escritores latinos: Cícero, César, Vergílio, Horário, Ovídio, Tito Lívio, dentre outros.

O apogeu do Império Romano e as guerras de conquistas levaram o latim popular, falado pelos soldados romanos, para outras regiões da Europa, onde interagindo com idiomas locais, deu origem às línguas neolatinas.

Como acontece em todo idioma, havia a língua gramaticalmente correta dos literatos e a língua popular, falada pelo povo de pouca instrução e sem preocupação com a correção gramatical. Foi esta última que se espalhou pela Europa e, no caldeirão dos dialetos regionais, comandou a formação das linguas neolatinas, inclusive o português.

O português foi o resultado da mistura do latim com o galego, principal lingua falada na região do Condado Portucalense, que hoje corresponde à região de Portugal. Foi uma das linguas derivadas que mais demorou a se formar, sendo provavelmente este o motivo de ser o português tão semelhante ao latim.

O latim literário continuou a ser adotado e utilizado durante muitos séculos pelos escritores cristãos, mesmo depois de não ser mais falado como linguagem corrente na sua região de origem. Por influência dos monges, o latim era utilizado também como idioma dos intelectuais, filósofos e cientistas, que escreviam suas obras em latim, pela facilidade de serem lidos em qualquer parte da Europa. Somente a partir do século XVII, a literatura filosófica e científica passou a ser produzida em lingua vernácula.

Atualmente, o latim é a língua oficial da Igreja Católica, utilizado na produção dos documentos oficiais do Vaticano, seja da Cúria Romana, seja das entidades agregadas. As Universidades Pontifícias de Roma, por exemplo, expedem seus Diplomas em latim ainda hoje. Os documentos oficiais da Igreja Católica, originalmente escritos em latim, são imediatamente traduzidos no próprio Vaticano e distribuídos pelos diversos países já no idioma vernáculo.

Para não citar apenas exemplos distantes, nos anos de 1969/1970,no Seminário dos Frades Capuchinhos do Ceará, estudei filosofia em livros escritos em latim, editados na Itália.

Fora das instituições eclesiásticas, a língua latina continua a ser adotada na notação científica dos seres vivos, além de ter uso esporádico no ambiente forense.

ALFABETO LATINO: COMPOSIÇÃO E PRONÚNCIA DAS LETRAS

LIÇÃO VIRTUAL N. 2

2. ALFABETO LATINO: COMPOSIÇÃO E PRONÚNCIA DAS LETRAS

O alfabeto latino primitivo era composto de 21 letras, ou seja, o mesmo alfabeto do português atual, excluindo-se o J, o V e o Z, mas incluindo-se o K. As letras I e U tinham valores ora de consoante, ora de vogal, conforme o contexto fônico do vocábulo. Por exemplo, o I e o U tinham valor de consoante quando vinham precedendo uma vogal, em qualquer posição na palavra. Nos demais casos, tinham valor de vogal. Daí encontrarem-se expressões do tipo: SVB VMBRA ALARVM TVARVM ou invés de SUB UMBRA ALARUM TUARUM. (Sob a sombra de tuas asas).

O sinal K foi logo no início aceito, por influência do grego. Também por essa mesma influência, a fim de facilitar as transcrições literárias, foram incorporados os sinais Y e Z. Mais tarde, lá pelo século XVI, foram incorporados à escrita latina também os sinais J e V, certamente por influência das próprias linguas neolatinas, então já existentes. Este assunto, no entanto, não é ponto pacífico entre os gramáticos.

Outra que é motivo de controvérsias é a pronúncia do latim. A mais difundida, na época do ensino do latim no Brasil (até a década de 60), era a pronúncia eclesiástica, com forte acento italiano, por influência dos padres da Igreja Católica.

Os estudiosos da gramática comparativa, na área de linguística, tentaram construir uma pronúncia do latim mais original, sendo esta chamada de pronúncia restaurada. Há ainda a pronúncia aportuguesada, que também era utilizada no Brasil na época do ensino do latim nas escolas.

Essas informações têm aqui apenas caráter ilustrativo, já que não iremos praticar a pronúncia. Para efeitos práticos, sugiro que se adotem os mesmos valores fonéticos das letras na pronúncia portuguesa, observando-se as seguintes particularidades:

a) as vogais mantêm sempre seu som original, em qualquer posição que ocupem no vocábulo, evitando-se pronunciar o “o” como “u” e o “e” como “i” no final das palavras;

b) os ditongos “ae” (æ) e “oe” pronunciam-se como “e”;

c) a sílaba “ti”, quando não for tônica nem precedida por “s”, será pronunciada como “ci”;

d) a letra “x” tem sempre o som de “ks”, como na palavra “fixo”;

e) o grupo “ch” tem sempre o som de “k”;

f) os conjuntos “qu” e “gu” pronunciam-se sempre como se houvesse um trema no “u”;

g) o grupo “ph” tem o som de “f”.

Não se usavam acentos gráficos em latim, porém em alguns livros se usavam os mesmos acentos do português, a fim de facilitar a leitura. Como regra geral, atente-se para o fato de que não existem palavras oxítonas em latim, a não ser aquelas de uma sílaba só. Havendo dúvida, deve-se consultar um dicionário.

Convém observar que há divergências entre os gramáticos quanto a algumas das informações acima expostas. Vocês poderão encontrar pequenas variações, dependendo do autor da gramática que pesquisarem. Isso é bastante compreensível, uma vez que não se sabe exatamente como era pronunciado o latim, porque a pronúncia original não foi conservada, mas sofreu influências ao longo dos séculos.

EXPLICAÇÕES GERAIS SOBRE A ESTRUTURA DA LÍNGUA LATINA

LIÇÃO VIRTUAL N. 3

3. EXPLICAÇÕES GERAIS SOBRE A ESTRUTURA DA LÍNGUA LATINA

(DECLINAÇÕES, DESINÊNCIAS E CASOS)

DECLINAÇÃO – O latim é uma língua decclinável. Isto significa que é fundamentada na sintaxe e por isso a terminação das palavras muda de acordo com a sua função dentro da frase. Da mesma como os verbos assumem uma forma diferente para cada pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles), os substantivos, adjetivos, numerais, bem como os particípios dos verbos em latim também alteram a terminação de acordo com o contexto. A isto se chama ‘declinação’.

DESINÊNCIA – Chama-se ‘desinência’ à parte final da palavra que se altera de acordo com a sua função sintática; chama-se ‘radical’ à parte fixa da palavra. Assim, todas as palavras têm um radical e uma desinência. Isto vale para verbos, substantivos, adjetivos. Note apenas que os verbos se conjugam, enquanto as outras palavras se declinam.

CASOS – No latim, há cinco declina&cceddil;ões, dentro das quais se enquadram todas as palavras.

Cada declinação tem seis casos, assim identificados, tomando como exemplo a palavra ‘Maria’:

CASOFUNÇÃO DA PALAVRANominativo quando a palavra é sujeito na frase ou predicativo do sujeito; (ex: Maria é bonita).Vocativo quando exprime exclamação, interpelação; (ex: Ó Maria, és bonita).Acusativo quando é objeto direto; (ex: Amo Maria)Dativo quando é objeto indireto; (ex: Dei uma rosa a Maria)Genitivo quando é um complemento restritivo, regido pela preposição “de”, exprimindo em geral um possessivo’; (ex: A casa de Maria)Ablativo Complemento que indica modo, meio, origem, condição, lugar, tempo. Em português, as palavras vêm acompanhadas com uma preposição (com, por, em), mas em latim esta preposição é geralmente oculta. (ex: com Maria, por Maria)A regra básica para se identificar a que declinação pertence uma palavra é verificar a sua desinência do genitivo singular. Nos dicionários, a palavra sempre aparece na sua forma do nominativo, seguida pelo genitivo. Portanto, assim se reconhecem as declinações das palavras:

1a. declinação desinência do genitivo em ‘æ’;2a. declinação desinência do genitivo em ‘i’;3a. declinação desinência do genitivo em ‘is’;4a. declinação desinência do genitivo em ‘us’;5a. declinação desinência do genitivo em ‘ei’.Pergunta: por que se usa o genitivo para identificar as declinações e não o nominativo, que é a forma original da palavra?

Resposta: porque em algumas declinações, o nominativo pode assumir terminações diversas, mas no genitivo a terminação é sempre a mesma.

Estas informações ditas assim em forma descritiva podem parecer até confusas ou complexas, no entanto, o conhecimento e a boa compreensão delas será fundamental para o entendimento das noções gramaticais que virão nos próximos capítulos.

Agora, uma curiosidade. Do ponto de vista morfológico, em geral, os adjetivos da língua portuguesa derivam do genitivo das palavras em latim. Por ex: ‘lex’ deu origem a ‘lei’; mas é do seu genitivo ‘legis’ que derivam: legislativo, legista, legal, legislador. ‘Tempus’ deu origem a ‘tempo’, mas é do genitivo ‘temporis’ que derivam: temporal, temporário. ‘Lumen’ deu origem a ‘luz’, mas é do genitivo ‘luminis’ que derivam: luminoso, luminária.

PRIMEIRA DECLINAÇÃO

LIÇÃO VIRTUAL N. 4

4. PRIMEIRA DECLINAÇÃO

A primeira declinação em latim abrange as palavras terminadas em ‘a’ no nominativo e que no genitivo têm a desinência ‘æ’. Isto se aplica aos substantivos, adjetivos, numerais e aos particípios passados dos verbos.

Exemplos:

‘insula’ (pronúncia: ínsula) = ilha;

‘incola’ (pron: íncola) = habitante;

‘rotunda’ (pron. paroxítona) = redonda;

‘deducta’ (paroxítona) = deduzida.

Seguindo a regra já apresentada, temos em ‘insula’ o radical ‘insul’ e a desinência ‘a’; em ‘incola’, o radical é ‘incol’ e a desinência ‘a’. Portanto, na hora de declinar, o que vai alterar é apenas a desinência.

Casos da primeira declinação:

CasosSingularPluralNominativo: insula insulæGenitivo: insulæ insularumDativo: insulæ insulisAcusativo insulam insulasVocativo: insula insulæAblativo: insulainsulisExemplos:

1. A ilha é redonda. – Insula rotunda est. (Note que é comum no latim o verbo vir no final da frase)

Comentários: insula = sujeito; rotunda = predicativo do sujeito; ambos, pois, estão no caso nominativo.

2. O habitante da ilha – Insulæ incola.

Comentários: não há artigos em latim; habitante = incola, por não ter nenhuma regência, fica no nominativo; insulæ = da ilha, possessivo, regido pela preposição ‘de’, portanto, vai para o genitivo.

3. Vejo a ilha. – Insulam video.

Comentários: insulam = a ilha, objeto direto, vai para o acusativo; video = vejo, 1a. pessoa do singular do verbo ver no indicativo presente. Não existe o artigo.

4. Perigo nas ilhas. – Periculum in insulis.

Comentários: A preposição ‘in’ (em, no, na, nos, nas) sempre rege ablativo, ou seja, a palavra a ela vinculada vai para o ablativo. Daí a palavra ‘insula’ assume a forma ‘in insulis’, porque está no ablativo plural; periculum = perigo, está no nominativo neutro da 2a. declinação (que será estudada adiante).

PARTICULARIDADES DA PRIMEIRA DECLINAÇÃO

LIÇÃO VIRTUAL N. 5

5. PARTICULARIDADES DA PRIMEIRA DECLINAÇÃO

Inicialmente, convém lembrar que os gêneros das palavras em latim nem sempre correspondem ao que elas são em português. Na primeira declinação, com terminação ‘a’ no nominativo e ‘æ’ no genitivo, a maioria das palavras é do gênero feminino. Porém, há também as do gênero masculino em latim terminadas em ‘a’, como por ex:

‘Incola’ (pron: íncola) = habitante;

‘nauta’ = marinheiro;

‘athleta’ = atleta;

‘agricola’ (pron: agrícola);

‘pöeta’ = poeta (note-se que esta palavra tem um trema no ‘o’, para evitar que seja pronunciado ‘e’, assim como em ‘coelum’, que se pronuncia ‘célum’).

Há ainda aquelas palavras que só existem na forma plural, não têm singular, como por ex:

‘Nuptiæ’ (pron: núpcie) = núpcias; ‘divitiæ’ (pron: divície) = riquezas;

‘Athenae’ (pron: aténe) = Atenas (a cidade grega).

Há também algumas palavras que têm um sentido no singular e outro diferente no plural.

Por ex:

‘copia’ (pron: cópia) = no singular, abundância; já ‘copiæ’ (pron: cópie) = no plural, tropas, exército;

‘littera’ (pron: lítera) = no singular, letra; ‘litteræ’ (pron: lítere) = no plural, carta, correspondência;

Há mais dois casos excepcionais em que não se faz o genitivo em ‘æ’, como é a regra. São duas expressões do latim arcaico, que se conservaram pela tradição.

São elas:

‘paterfamilias’ e ‘materfamilias’, respectivamente, pai de família e mãe de família, que são consideradas corretas ao lado de ‘pater familiæ’ e ‘mater familiæ’, as formas que seguem a regra gramatical.

É curioso notar que não há palavras do gênero neutro na primeira declinação. Só há palavras masculinas ou femininas.

É oportuno observar ainda que a língua latina é muito pródiga em exceções. Evitarei descer a muitos detalhes, destacando apenas algumas formas excepcionais mais usadas.

SEGUNDA DECLINAÇÃO

LIÇÃO VIRTUAL N. 6

6. SEGUNDA DECLINAÇÃO

A segunda declinação em latim abrange as palavras terminadas no nominativo em ‘er’, ‘us’ e ‘um’ e que no genitivo têm a desinência ‘i’.

Exemplos:

‘puer’ (pronúncia: púer), ‘pueri’ (gen., pron: púeri) = menino;

‘piger’ (pron: píger) ‘pigri’ (gen.pron:pígri). = preguiçoso;

‘bonus’ (pron. bónus), ‘boni’ (gen.pron:bóni) = bom;

‘verbum’ (paroxítona), ‘verbi’ (gen.pron:vérbi) = palavra.

Observa-se que há uma maior diversidade de formas do caso nominativo, porém, a desinência no genitivo é sempre em ‘i’. Note que as palavras com nominativo em ‘er’, fazem o genitivo apenas acrescentando o ‘i’, no entanto, outras trocam o ‘er’ por ‘ri’. Estes detalhes sempre aparecem nos dicionários e são facilmente perceptíveis na hora da consulta.

Casos da segunda declinação:

Singular

Nom:puerager bonus verbumGen: pueri agri boni verbiDat: puero agro bono verboAcus:puerum agrum bonum verbumVoc: puer ager bone verbumAbl: puero agro bono verboPlural:

Nom: pueri agri boni verbaGen: puerorum agrorum bonorum verborumDat: pueris agris bonis verbisAcus: pueros agros bonos verbaVoc: pueri agri boni verbaAbl: pueris agris bonis verbisEm geral, as palavras terminadas no nominativo em ‘er’ e ‘us’ são masculinas, enquanto as terminadas em ‘um’ são do gênero neutro. Observe que as palavras neutras, fazem o nominativo plural em ‘a’, enquanto as demais o fazem em ‘i’.

Exemplos:

1. Puer bonus est. – O menino é bom.

Comentários: puer = sujeito; bonus = predicativo do sujeito; ambos, pois, ficam no nominativo.

2. Agricolæ filius piger est. = O filho do agricultor é preguiçoso.

Comentários: não há artigos em latim; agricolæ = do agricultor, possessivo regido pela preposição ‘de’, portanto, vai para o genitivo da 1a. dec; ‘filius’ e ‘piger’, respectivamente, sujeito e predicativo do sujeito, ficam no nominativo.

3. Templa Romæ video. – Vejo os templos de Roma.

Comentários: ‘templa’= templos, objeto direto, vai para o acusativo plural do neutro que, por coincidência, é igual ao nominativo plural de ‘templum’;

‘Romæ’ – de Roma, possessivo regido por ‘de’, vai para o genitivo da 1a. declinaçao.

Video (pron: vídeo)– eu vejo, 1a. pessoa do singular do verbo ver.

4. Discipulus libros Magistri portat. = O aluno (discípulo) leva os livros do Professor.

Comentários: discipulus – aluno, sujeito da frase, fica no nominativo; libros = objeto direto, acusativo plural de ‘liber’. Esta palavra significa ‘livro’, como substantivo, e ‘livre’, como adjetivo.

‘magistri’, possessivo, gen. sing. de ‘magister’ (=professor).

Portat – verbo portare (levar, carregar)

Observe que a ordem das palavras na frase não prejudica a compreensão, porque pela identificação das desinências, é possível saber qual a função da palavra no contexto, independente de sua posição. Por ex: ‘discipulus’ é nominativo, portanto, só pode ser sujeito; ‘libros’ é acusativo, portanto, é objeto direto; temos o verbo ‘portat’ (de ‘portare’ = levar), que é transitivo direto e indireto (levar algo ou alguém a algum lugar). Assim vemos que ‘libros’ é obj. direto, ‘Magistri’ é gen. sing. de ‘magister’ (=professor). Analisando cada palavra, chega-se à sua tradução. A tradução sempre deve ser feita em vista do contexto todo da frase.

TERCEIRA DECLINAÇÃO

LIÇÃO VIRTUAL N. 7

7. TERCEIRA DECLINAÇÃO

A terceira declinação em latim é a que comporta maiores variações e abrange o maior número de palavras. Nela se incluem as palavras terminadas no nominativo em ‘or’, ‘er’, ‘us’, ‘os’, ‘es’, ‘as’, ‘is’, ‘ex’ ‘en’ , consoante mais ‘s’, ou seja, há uma variedade enorme de terminações, com a única característica em comum que é no genitivo singular ter a desinência ‘is’.

As duas primeiras declinações, assim como as duas últimas, que ainda veremos, têm desinências mais constantes no nominativo. Mas nesta terceira declinação, é praticamente impossível estabelecer uma regra. Destarte, não sendo conhecida a palavra, a única alternativa é consultar o dicionário.

Exemplos:

Em ‘or’ – ‘pastor’ (pronúncia: pástor), ‘pastoris’ (pron: pastóris – gen.) = pastor;

Em ‘er’ – ‘pater’ (pron: páter) ‘patris’ (pron: pátris – gen). = pai;

Em ‘us’ – ‘tempus’ (pron. témpus), ‘temporis’ (pron: témporis – gen.) = tempo;

Em ‘os’ – ‘flos’, ‘floris’ (pron: flóris – gen.) = flor;

Em ‘es’ – ‘vulpes’ (pron: vúlpes), ‘vulpis’ (pron: vúlpis – gen) = raposa;

Em ‘as’ – ‘libertas’ (pron: libértas), ‘libertatis’ (pron: libertátis) = liberdade;

Em ‘is’ – ‘canis’ (pron: cánis), ‘canis’ (gen = nom) = cão, cachorro;

Em ‘ex’ – ‘lex’, ‘legis’ = lei;

Em ‘en’ – ‘lumen’ (pron: lúmen), ‘luminis’ (pron: lúminis) = luz;

Em consoante + ‘s’ – ‘mors’, ‘mortis’ = morte; ‘princeps’, ‘principis’ (pron: ambos com tônica na 1a. sílaba) = príncipe.

Observa-se que há uma imensa diversidade de formas do caso nominativo, porém, a desinência no genitivo é sempre em ‘is’. E note também que o radical a ser usado para aplicação das desinência nos demais casos segue o padrão do genitivo, e não o do nominativo.

Casos da terceira declinação:

Singular

Nom:pastorfloslextempusGen: pastorisflorislegistemporisDat: pastoriflorilegitemporiAcus: pastoremfloremlegemtempusVoc: pastorfloslextempusAbl: pastoreflorelegetemporePlural:

Nom:pastoresfloreslegestemporaGen: pastorumflorumlegumtemporumDat: pastoribusfloribuslegibustemporibusAcus: pastoresfloreslegestemporaVoc: pastoresfloreslegestemporaAbl: pastoribusfloribuslegibustemporibusNos exemplos citados, apenas a palavra ‘tempus’ é do gênero neutro. Convém não esquecer que os gêneros das palavras em latim nem sempre correspondem ao que as palavras são em português. Na dúvida, é necessário consultar um dicionário.

A título de indicação, apresento alguns exemplos de como as palavras aparecem nos dicionários, para facilitar a compreensão e a localização delas.

No dicionário, encontra-se: dolor, oris – significa que o genitivo de ‘dolor’ (pron: dólor) é ‘doloris’ (pron: dolóris); pater, tris – significa que o genitivo de ‘pater’ é ‘patris'; mulier, eris – significa que o genitivo de ‘mulier’ (pron: múlier) é ‘mulieris’ (pron: mulíeris). E assim sucessivamente.

Labor, laboris = trabalho;

Uxor, uxoris = esposa;

Mulier, mulieris = mulher;

Dolor, doloris = dor;

Frater, fratris = irmão;

Iter, itineris = caminho;

Custos, custodis = guardião;

Nepos, nepotis = neto, sobrinho ou descendente familiar;

Mos, moris = costume;

Miles, militis = soldado;

Pes, pedis = pé;

Sermo, sermonis = sermão, discurso;

Fortitudo, fortitudinis = fortaleza;

Ratio, rationis = razão;

Civitas, civitatis = cidade;

Laus, laudis = louvor;

Judex, judicis = juiz;

Urbs, urbis = cidade;

Grex, gregis = rebanho

Nomen, nominis = nome;

Caput, capitis = cabeça;

Flumen, fluminis = rio;

Virtus, virtutis = virtude;

Bos, bovis = boi;

Pecus, pecoris = rebanho;

Avis, avis = ave;

Canis, canis = cachorro;

Nobilis, nobilis = nobre;

Sapiens, sapientis = sábio;

Felix, felicis = feliz;

Corpus, corporis = corpo.

Estes exemplos bem demonstram a variedade de que se compõe a terceira declinação. Sugiro, como exercício de fixação das desinências, que se tomem estas palavras ou algumas delas e as declinem em todos os casos, no singular e no plural, seguindo os exemplos apresentados.